Empresa oferece camas de cartão a sem abrigo do Porto

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A multinacional de fabrico de papel e embalagens Smurfit Kappa desenvolveu camas de cartão para sem-abrigo e, em parceria com a associação CASA, distribuiu-as, na noite de sexta-feira, por algumas ruas do Porto.

A iniciativa pretendeu abordar, numa primeira fase, cerca de dez pessoas habituadas a dormir na rua Júlio Dinis, na praça da República e na Praça da Batalha, para depois, “com o tempo, melhorar-se a cama, ver a aceitação e chegar ao máximo número de pessoas possível”, disse à Lusa Pedro Pedrosa, coordenador da delegação do Porto do projeto CASA, uma associação de apoio à pobreza extrema.

O coordenador lembrou que “as principais necessidades de um sem-abrigo podem não ser sair da rua”, explicando que “não é de um dia para a noite” que se deixa de dormir ao relento, pelo que parte do objetivo deste tipo de iniciativas passa por manter a dignidade de quem não está pronto para viver sob um teto.

“É necessário que sejam alimentados, que sejam ouvidos, que se perceba quais são as reais necessidades, que nem sempre são sair imediatamente da rua”, sublinhou Pedro Pedrosa.

Para além da comida e bebidas quentes que a CASA distribui diariamente, entre as suas várias delegações, foi também facultado aos sem-abrigo autocolantes que identificam o propósito das camas de cartão, de modo a que não sejam confundidas com lixo, quando não são utilizadas.

“Uma das nossas principais preocupações é que os sem-abrigo, quando chega a manhã, colocam as suas coisas em qualquer sítio que podem”, explica o coordenador de 27 anos, relatando que “muitas vezes, [as pessoas] destroem aquelas coisas, ou, por engano, levam-nas para o lixo”.

O projeto contemplou, portanto, uma espécie de marca gráfica que identifica as camas de cartão em que se lê: “Esta é a minha casa. Cuidado, não a destruas”, com a respetiva tradução em inglês, de forma a tornar o objeto “universal, para que toda a gente perceba que são pertences de pessoas, que aquilo é realmente a casa de alguém que não tem casa”, disse Pedro Pedrosa.

Os casos de dependência de drogas e álcool abundam entre os sem-abrigo que a associação CASA vai ajudando, o que se por um lado explica a dificuldade em perceber se estão prontos ou dispostos a abandonar as ruas, também impede, em muitos casos, a recolha das suas opiniões, pelo menos claras, quanto ao projeto das camas de cartão.

Segundo Rui Seara, gerente da unidade fabril de Vila do Conde da empresa de fabrico de papel e embalagens de cartão que desenvolveu o projeto, a ideia surgiu a partir da “cultura muito forte, dentro do grupo, de apoio a estas situações”.

“Assistimos a muitos casos em que o cartão canelado é muito usado por estas pessoas, pela necessidade que têm de proteção”, explicou o gerente.

“Como também é o produto que nós fabricamos, surgiu a ideia interna de tentar fazer qualquer coisa que pudéssemos para minimizar o sofrimento destas pessoas”, concluiu.

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