Karma e Smartphones: Como Usar a Tecnologia na Perspectiva Budista

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O texto foi extraído do livro de Sakyong Mipham Rinpoche, “The Shambala Principle” (Harmony, Maio de 2013). Sakyong Rinpoche é o líder da escola Shambhala do budismo e é autor de outros dois livros já traduzidos para o português: “Faça da sua Mente uma Aliada” e “Governe seu Mundo”.

“Como a mente consegue produzir pensamentos interminavelmente, claramente há um potencial para produzir novos produtos interminavelmente. Como pensamentos, eles podem não ser necessariamente úteis ou benéficos. No passado, mudanças tecnológicas que alteraram a cultura, como o telefone e a eletricidade, demoravam um longo tempo para serem produzidos, e as culturas tinham mais tempo para absorver e contemplar seu impacto. Agora, especialmente com a evolução electrónica, novos valores culturais e éticos estão sendo desenvolvidos e desafiados, e as coisas estão mudando tão rápido de forma que temos pouco tempo para contemplar e absorver seu impacto.

Como muitas outras coisas, a tecnologia pode nos servir de forma favorável ou desfavorável. Se abordarmos o assunto com essa visão, podemos utilizar a tecnologia. Se nos falta visão, a tecnologia pode ser nossa predadora, detectando nossas fraquezas ou falta de determinação, tais como a discursividade ou o desejo por fofocas. Ou pode nos distrair do momento presente. Nesse sentido, nos seduz por alguns minutos, que se transformam em horas, dias, meses e anos.

Podemos dizer que estamos sendo bem servidos pela tecnologia se nos sentimos elevados, informados ou encantados por ela. Esses são os sinais de que o encontro foi virtuoso. No entanto, se nos sentimos aborrecidos ou desconectados, então, claramente a tecnologia adormeceu nossos sentidos. Estamos mentalmente menos afiados e emocionalmente distantes. Sabemos que fomos usados pela tecnologia, ao invés de utilizá-la, pois ela drenou nossas energias. A tecnologia pode ser um grande irrigador de virtude, ou pode criar negatividade. Com o telefone ou e-mail, podemos facilmente confortar, consolar ou celebrar com outras pessoas. Ao mesmo tempo, porque não estamos cara a cara, podemos dizer ou fazer coisas as quais não faríamos normalmente. Por isso, nossa negatividade pode atingir de maneira exponencial, devido ao efeito e poder da tecnologia. Também podemos tender à nos esconder por detrás de um equipamento electrónico, já que estamos menos expostos.

Mesmo que a tecnologia tenha avançado a nossa habilidade de comunicação, os cinco parâmetros básicos do karma ainda permanecem: elevar a intenção, decidir agir, preparar para agir, agir e não se arrepender. Podemos decidir perdoar ou punir um indivíduo, e, uma vez que o botão “enviar” é apertado, o karma se iniciou. Depois, se nos sentarmos satisfeitos, é um ato kármico completo. Essa acção não passa despercebida.

Na era moderna, temos de estar ainda mais convencidos da virtude, estarmos determinados em termos de quem nós somos e como desejamos nos manifestar. Geralmente, a melhor abordagem com a tecnologia é considerar nossa dignidade e nos preocupar com os outros.

Assim, ao produzirmos novos programas para laptops e aplicativos para smartphones, os princípios da virtude devem estar claros em nossas mentes. O importante é cuidarmos de nossa mente e não abusar dela. Se nos mantivermos conscientes de nossos princípios e prioridades, do mesmo modo que fazemos na meditação, podemos usar a tecnologia para despertar a disciplina, ao invés de deixar que ela tome conta de nossas vidas.”

Fonte: The Huffington Post

Tradução: Rafaela Batista 

 

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