Bodhgaya, o lugar onde Buda se iluminou

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Bodhgaya ou Bodh Gaya, na Índia, é um dos locais mais sagrados do Budismo, pois é onde Sidarta Gautama, ( Buda ), fundador do Budismo, alcançou a iluminação por volta do século V a.C. São quatro os principais lugares ligados a Buda Gautama: Lumbini, local onde ele nasceu; Bodhgaya, local onde ele alcançou a iluminação; Sarnath, local onde proferiu o seu primeiro sermão; Kushinara, local onde ele morreu. Bodhgaya é considerado o mais sagrado desses quatro locais por ser onde o Budismo nasceu.
 

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Um pouco da história de Sidarta Gautama, o Buda
Sidarta Gautama, o fundador do Budismo, foi um príncipe da tribo dos Shakya. Desde seu nascimento, Gautama vivia confinado num palácio; vivia em meio ao luxo e prazeres. Não sabia o que era o sofrimento. Insatisfeito com a futilidade de sua condição e sentindo um vazio interior, Gautama, com 29 anos de idade, a contragosto de sua família real, decidiu sair do palácio para conhecer pela primeira vez o mundo fora dos limites onde ele vivia.
Conduzido por seu cocheiro, Gautama viu então, pela primeira vez, pessoas doentes, miseráveis e velhas. Andando mais, viu o corpo de uma pessoa morta, que seria cremada. Seu cocheiro explicou-lhe que quase todas as pessoas na Índia viviam nessa condição de sofrimento.
Essas visões marcaram profundamente a alma de Gautama, que quis saber o porquê da existência do sofrimento. Seu cocheiro disse-lhe que não sabia o porquê de existir o sofrimento, mas que na Índia havia pessoas, consideradas sábias, que talvez soubessem a resposta: as pessoas da casta dos brâmanes. Em sua busca por respostas, Gautama juntou-se aos monges brâmanes e tornou-se um asceta, alguém que buscava a iluminação e sabedoria através de uma vida de jejum, privação e meditação.
Gautama viveu durante anos uma vida sofrida de asceta, no entanto, não chegou a lugar nenhum. Já com 35 anos de idade, resolveu então abandonar os ascetas e passou a trilhar seu próprio caminho para encontrar a Verdade. Fraco e cansado em sua árdua busca, Sidarta sentou-se sob a sombra de uma figueira para meditar e jurou que não se levantaria enquanto não encontrasse a Verdade, mesmo que isso lhe custasse a vida. Depois de 49 dias e 49 noites em meditação, Gautama alcançou a iluminação espiritual. Desde então, ele passou a ser chamado de Buda, termo derivado do sânscrito, que significa “desperto, iluminado, o que sabe”. Ele é conhecido no Budismo como Buda Gautama ou Buda Sakyamuni, o Iluminado da tribo dos Shakya.
Assim, Gautama alcançou a iluminação, a extinção da chama dos apegos e desejos, a extinção do sofrimento humano; tornou-se um Buda e passou a compreender verdades e princípios que regem vida e o universo. Isso aconteceu por volta do ano 500 a.C. Pouco depois de alcançar a iluminação, Buda Sakyamuni viajou para Sarnath, onde começou a transmitir seus ensinamentos pela Índia para salvar as pessoas de seus sofrimentos. Assim surgiu o Budismo de Sakyamuni.
Ainda durante a vida de Buda Sakyamuni, no local onde ele se iluminou sob a figueira, foi construído um santuário, chamado de Animisalocana Cetiya. O local passou a ser chamado de Bodhgaya e, desde então, é visitado, principalmente, por seguidores do Budismo. A figueira sob a qual Sidarta se iluminou é chamada de Árvore Bodhi.
 
A Figueira Sagrada, a Árvore Bodhi
 
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A figueira original sob a qual Gautama se iluminou já não existe. Em seu lugar foi plantada outra originária de uma muda de uma figueira (Sri Maha Bodhi) do Sri Lanka, que se originou da Árvore Bodhi sob a qual Buda se iluminou.
O rei Asoka, que reinou de 273 a 232 a.C., foi o primeiro soberano indiano a converter-se ao Budismo e tornou-se um grande propagador da religião pela Ásia. Ele tinha reverência especial pela Árvore Bodhi. Todos os anos, no mês de kattika, ele promovia uma festividade em reverência ao que essa árvore significava. Entretanto, segundo se conta, a rainha de Asoka, sua esposa, num momento de raiva do marido, mandou envenenar a figueira que tanto seu marido estimava. A árvore quase morreu, mas renasceu. Depois disso, por precaução, Asoka mandou respeitosamente plantar mudas da Árvore de Bodhi no Sri Lanka e em outros locais.
Na cidade de Anandabodhi, existe outra figueira derivada da original, cujo plantio foi autorizado pelo próprio Buda a seu discípulo Ananda. São figueiras consideradas sagradas assim como a original.
Lamentavelmente, a Árvore Bodhi original foi arrancada pelo Rei Pusyamitra Sunga, no século II a.C. Uma muda de uma das árvores derivadas da original foi plantada no local e cresceu, mas foi arrancada pelo Rei Shashanka por volta do ano 600 d.C. As figueiras que foram plantadas em substituição às arrancadas são de figueiras descentes directamente da original.  A actual Árvore Bodhi de Bodhgaya é de uma muda da do Sri Lanka, e cresce firme e protegida. Essa Árvore Bodhi está bem ao lado do actual Templo Mahabodhi, bem no local onde Buda Gautama se iluminou.
 
O Templo Mahabodhi
 
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Aproximadamente 250 anos depois da iluminação de Sidarta Gautama, o rei Asoka, que reinou de 273 a 232 a.C., aquele cuja esposa mandou envenenar a árvore Bodhi, mandou construir um templo no local onde Sidarta alcançou a iluminação. O rei Asoka converteu-se ao Budismo depois de testemunhar e arrepender-se do massacre na guerra de Kalinga (atual Orissa), que ele causou devido a seu obstinado desejo de conquista e fama. Arrependido, tornou-se seguidor dos ensinamentos de Buda, renunciou ao uso de violência e passou a reinar com benevolência.
Convertido, o rei Asoka passou a propagar e divulgar entusiasticamente o Budismo na Ásia. Mandou construir monumentos budistas em vários lugares, em especial, um templo em Bodhgaya, bem ao lado da Árvore Bodhi sob a qual Sidarta Gautama alcançou a iluminação. Foi chamado de Templo Mahabodhi e consistia de uma pirâmide alongada esculpida com imagens de Buda e em cujo topo havia uma estupa.
Cinquenta anos depois da morte do rei Asoka, Pusyamitra Sunga, um guerreiro, depôs o rei Brhadrata, descendente de Asoka, conquistou o trono e assim fundou a dinastia Sunga (185-173 a.C.). Pusyamitra era um fervoroso seguidor do Bramanismo e abertamente hostil ao Budismo. Ele mandou destruir mosteiros e templos budistas, e matar monges do Budismo. Em locais onde o Budismo estava fortemente enraizado – como Nalanda, Bodhgaya (onde Sidarta se iluminou), Sarnath e Mathura –, os mosteiros e templos budistas foram convertidos em mosteiros e templos hindus.
No século VI d.C., 800 anos depois da morte do rei Asoka, um novo templo foi construído em Bodhgaya. Com o declínio do Budismo na Índia e a invasão turca no século XII, esse templo foi abandonado e esquecido. Sujeito às intemperes e sem conservação, o templo ficou em péssimo estado e acabou coberto pelo mato e pela areia. Vide imagem acima.
No século XIX, esse templo foi restaurado por sir Alexander Cunningham como parte de seu trabalho pela British Archaeological Society. Em 1883, Cunningham e seus colaboradores tiveram que fazer um grande trabalho de recuperação e restauração no templo.
 
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Em 1891, Anagarika Dharmapala (1864-1933), um dos fundadores da Sociedade Teosófica, em visita ao templo restaurado, ficou chocado ao encontrar o templo nas mãos de um sacerdote Saivite, uma religião hindu, e ao ver que a imagem de Buda havia sido transformada em um ícone hindu e que monges budistas não podiam visitar o local. Como resultado, Anagarika começou um movimento para restabelecer o status de budista ao Templo Mahabodhi.
No mesmo ano, em 1891, Anagarika Dharmapala fundou a Maha-Bodhi Society com esse principal objectivo. Para isso, ele iniciou um longo processo contra os sacerdotes saivites que detinham o controle do Templo por séculos. O objectivo só foi alcançado depois da independência da Índia em 1947 e 16 anos depois da morte de Dharmapala, em 1949. O Templo Mahabodhi passou a ser gerido também pela Maha-Bodhi Society. A gestão do Templo foi confiada a um comité composto em igual número de hindus e budistas, o que é de se lamentar embora tenha sido um avanço. As religiões devem manter sua pureza original e não se misturarem sob pena de desaparecer.
 
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Na pequena cidade  de Bodhgaya, vão peregrinos de vários países: Camboja, Tibete, Tailândia, Laos, Japão, Mianmar, Sri Lanka e outros. Existem pequenos monastérios e templos espalhados por todo o local. Cada comunidade budista internacional constrói seu próprio templo e atrai peregrinos do seu país para visitar, estudar, reverenciar e meditar em o local onde Sidarta Gautama alcançou a iluminação.
 
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Monges com suas vestes de cor vermelha ou amarela ou são vistos por todos os lados. Uns com mente divagante e dormente, outros ao celular, outros tirando fotos, outros fingindo que meditavam, enquanto prestavam atenção a tudo que se passa ao seu redor, alguns com pensamentos luxuriosos… Isso mostra o qual difícil é cultivar no Budismo no Período Final do Dharma e para todos que querem fazer isso. Para isso é necessário ter um pouco da pureza de coração, capacidade de entendimento e a determinação de Sidarta Gautama. Sem dúvida é um lugar com enorme valor histórico, cultural e religioso; certamente um lugar que merece ser visitado.
Em 2002, o Templo Mahabodhi tornou-se um Património da Humanidade, pela UNESCO.
 
Fonte: EPT
 
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