Texto sobre o Karma

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De alguns anos para cá o Budismo tem ganho a simpatia de um número crescente de pessoas. Sem quererem necessariamente tornar-se budistas, muitas pessoas têm interesse e acabam por aderir a algumas concepções budistas do mundo. Sua Santidade o Dalai Lama fala muitas vezes dessa possibilidade.

Uma das noções que pode ser muito útil é a noção de karma. Quando bem compreendida, a ideia de que todas as acções produzem um resultado oferece-nos uma explicação lógica graças à qual os fenómenos podem ser descodificados.

Que quer isto dizer? O homem sempre procurou explicar e sobretudo prever os acontecimentos da sua vida. Imaginemos o homem primitivo num meio ambiente hostil. Para ele, encontrar um predador ou assistir a uma trovoada eram situações profundamente assustadoras que representavam um perigo de morte. Ao longo dos milénios a situação do homem mudou pois, com o tempo, por um lado ele foi-se tornando num grande predador e por outro a ciência foi explicando os fenómenos naturais que aterrorizavam os nossos antepassados longínquos. No entanto, se ao sair de casa de manhã eu for atropelada, a ciência não me pode ajudar a prever o acidente nem tão pouco explicar-me porque fui eu atropelada e não outra pessoa qualquer. No fundo, face a esse acontecimento inesperado, estamos exactamente no mesmo caso que o homem primitivo: não temos meios para o prever nem para o explicar. Sem esses meios, estes acontecimentos parecem surgir do caos de um modo totalmente arbitrário. Dizemos que são frutos do acaso.

Quando se trata de acontecimentos banais, ficamos por aí, mas quando se trata de situações particularmente dolorosas é-nos muito difícil aceitar que a nossa vida possa ser um joguete desse acaso. Todos nós conhecemos as sequelas que situações não resolvidas podem deixar. A vida de certas pessoas “pára” após a morte de um filho ou uma separação particularmente difícil. Nenhum outro acontecimento posterior tem sentido. Acham que o que lhes aconteceu “foi demasiado injusto”.

Para certas pessoas, a ideia de uma Providência Divina pode ser a saída do impasse. Embora não consigam encontrar uma lógica que explique esse acontecimento doloroso da sua vida, pessoas muito crentes poderão aceitá-lo dizendo: “Foi a vontade de Deus.” Mas outras, ou porque não são crentes ou simplesmente porque o sofrimento é demasiado grande, não aceitam e chegam a renegar as suas crenças e revoltar-se contra a Providência.

A noção de karma pode ajudar-nos a aceitar e até um certo ponto ensinar-nos a condicionar os acontecimentos da vida. Quando conhecemos os parâmetros das acções positivas e negativas e as suas consequências, começamos a compreender que todas as situações presentes são o resultado dos nossos actos passados e que os nossos actos presentes irão condicionar as situações futuras. Deixamos de ser “vítimas” do caos e passamos a poder agir sobre ele, e a revolta dá lugar à compreensão. Ou seja, em vez de determinada situação dolorosa bloquear a nossa existência e fazer com que nos fechemos à beleza e à harmonia, a aceitação e a compreensão dessa situação abre-nos para um enriquecimento e uma maior capacidade de apreciação do mundo. Do caos retiramos uma ordem.

Não é preciso ser budista para tal. Pessoas não budistas podem eventualmente chegar ao mesmo resultado a partir de uma reflexão profunda e uma atitude de coração. No entanto, o Budismo tem uma longa experiência neste campo. Existem inúmeros textos detalhados explicando o funcionamento do karma. Apoiando-se neles, qualquer pessoa, crente ou não crente, pode beneficiar de um conhecimento estruturado e de uma perspectiva correcta da causalidade das acções. Embora se trate de um assunto bastante complexo que tem de ser estudado e maduramente contemplado, uma noção correcta de karma é perfeitamente acessível a não budistas.

Neste assunto, como em muitos outros, podemos aplicar a frase de Sua Santidade o Dalai Lama: “Não procuro converter os outros ao Budismo, mas sim informá-los de que maneira nós, Budistas, podemos contribuir para a humanidade com a nossa concepção do mundo”.Autora: Ven. Monja Tsering Paldron (Emília Marques Rosa)

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