Osho – O Desapego

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O amor é a única libertação do apego. Quando você ama tudo, não está preso a nada.

Na verdade, o fenómeno do apego precisa de ser entendido. Por que é que se agarra a algo? Porque tem medo de perdê-lo. Talvez alguém possa roubá-lo. O seu medo é de que amanhã não possa ter o que tem hoje.

Quem sabe o que acontecerá amanhã? A mulher ou o homem que ama… qualquer movimento é possível: ou se aproximam ou se distanciam. Podem novamente se tornar estranhos ou podem ficar tão unidos que não seria correcto dizer nem mesmo que são duas pessoas diferentes; é claro, existem dois corpos, mas o coração é um só, a canção do coração é uma só e o êxtase que os envolve como uma nuvem.

 Desaparecem nesse êxtase: Tu não é tu, ela não é ela. O amor passa a ser tão total, tão grande e irresistível que não pode permanecer em si mesmo; precisa de submergir e desaparecer.

 Nesse desaparecimento, quem se prenderá, e a quem? Tudo é. Quando o amor desabrocha na sua totalidade, tudo simplesmente é. O receio do amanhã não surge, daí não surgir a questão do apego.

“Todas as nossas misérias e sofrimentos não são nada mais do que apego. Toda a nossa ignorância e escuridão é uma estranha combinação de mil e um apegos. Nós estamos apegados a coisas que serão levadas no momento da morte, ou mesmo, talvez, antes. Pode estar muito apegado ao dinheiro, mas pode ir à bancarrota amanhã. Pode estar muito apegado ao seu poder e posição, mas eles são como bolhas de sabão. Hoje eles estão aqui; amanhã eles não deixarão nem um traço. (…)

Todas as nossas posições, todos os nossos poderes, o nosso dinheiro, o nosso prestígio, respeitabilidade são todos bolhas de sabão. Não fique apegado a bolhas de sabão; senão, estará em contínua miséria e agonia. Essas bolhas de sabão não se importam por estar apegado a elas. Elas continuam arrebentando e desaparecendo no ar e deixando-o para trás com o coração ferido, com um fracasso, com uma profunda destruição de seu ego. Elas deixam-no triste, amargo, irritado, frustrado. Elas transformam a sua vida num inferno.

Compreender que a vida é feita da mesma matéria que os sonhos é a essência do caminho. Desapegue-se: viva no mundo, mas não seja do mundo. Viva no mundo, mas não permita que o mundo viva dentro de si. Lembre-se que ele é um belo sonho, porque tudo está mudando e desaparecendo.

Não se agarre a nada. Agarrar-se é a causa de sermos inconscientes.

Se começar a desprender-se, uma tremenda libertação de energia acontecerá dentro de si. A energia que estava envolvida no apego às coisas trará um novo amanhecer ao seu ser, uma nova luz, uma nova compreensão, um tremendo descarregar – nenhuma possibilidade para a miséria, a agonia, a angustia.

Ao contrário, quando todas essas coisas desaparecem, encontra-se sereno, calmo e tranquilo, numa alegria subtil. Haverá um riso no seu ser. (…)

Se tornar-se desapegado, será capaz de ver como as pessoas estão apegadas a coisas triviais, e quanto elas estão sofrendo por isso. E rirá de si mesmo, porque também estava no mesmo barco antes. O desapego é certamente a essência do caminho.”

Osho

 

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3 thoughts on “Osho – O Desapego

  1. Pingback: Osho – O Desapego | Amor incondicional blog

    • Desde logo, desapegarmo-nos das expetativas que colocaram sobre nós, dos objetivos que perspetivaram para nós.
      Ao mesmo tempo, desapegarmo-nos da ideia de que não somos merecedores. De que nunca somos suficientes. De que o nosso merecimento depende do valor que os outros nos atribuem. Praticar o desapego significa, apenas isto. É ter a coragem para deixar ir. Rendermo-nos. Deixar ir velhos preconceitos, as guerrinhas do dia a dia, a raiva, a ira, a angústia, o nó no estômago, o medo de falhar, o perfecionismo, a preocupação do «E se?» e do «Como vou conseguir lá chegar?».

      Praticar o desapego significa ter coragem de nos assumirmos pelo que somos e não pelo que temos. Desapegar é, no entanto, muito difícil. Desde logo, porque temos consciência de que podemos estar a sair para o nada, a deixar algo para entrar no vazio. Neste processo, surge a sensação interna de que podemos cair. E com essa sensação, o medo e a vontade de ficar imóvel. De ficar voluntariamente preso à nossa zona de conforto.

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