Conceito do Satsanga

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Satsanga é ficar em companhia de pessoas que possuem o conhecimento claro de sua própria natureza absoluta, ou daquelas que buscam esse mesmo conhecimento. Sanga significa associação, sat significa a verdade, tanto a nível relativo, como falar o que é correcto, como a verdade absoluta revelada nos Vedas ( Escrituras sagradas do Hinduísmo ).
O momento do encontro do professor com alunos pode ser acompanhado de conversas na forma de perguntas/respostas ou canções de devoção cantadas em conjunto. Esses momentos são importantes fontes de inspiração para os que valorizam o conhecimento de si mesmo e desejam viver suas vidas dedicados à aquisição do auto-conhecimento. Através da elucidação de dúvidas, colocadas pela própria pessoa e por outros, nasce uma maior clareza de entendimento. O ambiente informal e até mesmo alegre e fraterno, diferente da seriedade da sala de aula, oferece um apoio às pessoas ali reunidas que têm para si o mesmo objectivo.
Esses encontros podem acontecer uma ou mais vezes por semana, porém, o melhor satsanga não é um encontro semanal, mas os momentos diários em companhia de valores universais, como a verdade e a não-violência, e da consciência do dharma, do papel a ser cumprido por cada um, a escolha adequada das suas acções.
Conviver todos os dias com pessoas que querem descobrir em si mesmas os valores que conduzem ao conhecimento (chamados jñána, conhecimento, no capítulo XIII da Bhagavad Gítá), que desejam escutar, reflectir e meditar sobre o Átman, o Ser Imutável, é o satsanga ideal.
Este convívio é a inspiração, o estímulo e auxílio para a aquisição do auto-conhecimento, para encontrar meios para antahkaranasuddhih, a preparação da mente, e jñánanistha, a clareza e firmeza do conhecimento.
Além de conviver constantemente com outros que também desejam o Absoluto, melhor ainda é o contacto directo com pessoas que vivem a realização do Átmabrahman, pessoas cujas vidas são o próprio exemplo da plenitude do conhecimento.
Nosso grande mestre de Vedanta, Sri Adi Shankaracarya, diz no seu conhecido texto Bhaja-Govindam:

Satsangatve Nissangatvam
Nissangatve Nirmohatvam
Nirmohatve Niscalatattvam
Niscalatattve Jivanmuktah

Na companhia daqueles que buscam a Verdade, nasce o desapego. Com o desapego, a ilusão se vai. Quando a ilusão se vai, a Realidade Imutável torna-se clara. Com o conhecimento da Realidade Imutável, o indivíduo torna-se liberado ainda em vida.
Satsanga, a associação com pessoas que desejam o Sat, o Real, o Ilimitado, conduz a nissanga, a ausência da necessidade de estar sempre em companhia de pessoas e dependendo da presença dos objetos. A ausência dessa necessidade nasce da análise, do questionamento, que é viveka, que tem como conseqüência vairagya, o desapego natural e gradual, isto é, a ausência da ilusão e a presença da clareza mental para apreciar o seu verdadeiro Ser. Essa compreensão resolve a pergunta original do ser humano: quem sou eu? Para onde caminho? Respondendo a essas questões, a pessoa está liberada do sofrimento de se ver limitada e dependente de pessoas e objectos para preencher constantemente suas lacunas, num processo sem fim de insatisfação e desejo de vir a ser diferente.
O satsanga é o primeiro movimento para a busca de si mesmo.

 

 

Autora: Glória Arieira.

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