Mente Tranquila, Mente Vazia.

 Meditating-in-lotus-position-via-Shutterstock

Alguns dizem que é preciso esvaziar a mente. Eu pergunto: como esvaziar o que já está vazio?

Há uma história Zen muito interessante. Certo dia um jovem aspirante pediu ao seu Mestre que acalmasse a sua mente. O Mestre disse:

—“Traga a sua mente aqui, entregue-a a mim e eu a acalmarei.”

O jovem saiu procurando pela mente. Onde estaria? Seria pensamentos, memórias? Seria silêncios e quietude? Seria sonhos e pesadelos? Seria feita de palavras, conceitos? Seria apenas a massa encefálica, a matéria? O jovem pensava e não pensava. Cada vez que acreditava ter apanhado a mente, percebia que ela fugia, que já estava  noutro pensamento, noutra ideia. Que o próprio conceito se desfazia. Cansado, voltou a procurar o Mestre e disse:

—“Senhor, é impossível apanhar a mente.”

O Mestre disse com alegria:

—“Pois então, já está acalmada.”

O jovem se reverenciou em profunda gratidão, pois pela primeira vez compreendia, que a mente não é algo fixo e constante, mas flui com o fluir da vida, sem que possa jamais se fixar quer em inquietude ou em silêncio, quer em alegria ou tristeza, quer em iluminação ou desilusão.

Outra história do século VII na China foi a seguinte: o abade de um grande mosteiro pediu aos seus monges que fizessem um poema no qual expressassem a sua compreensão dos ensinamentos de Buda. O Chefe dos Monges, muito querido e respeitado pelos  mais de mil companheiros, escreveu solenemente:

“O corpo é a árvore Bodhi*,
A mente é como um espelho brilhante
Cuide para mante-la sempre limpa
Não permitindo que o pó se assente”

Um jovem semi-alfabetizado, que ajudava separando a palha do arroz viu o poema na parede, pediu que alguém o lesse e exclamou:

—“Não é isso”

e pediu a um monge letrado que escrevesse seu poema:

“O corpo não é a árvore Bodhi ( Bodhi – Despertar/Iluminar)
A mente não é como um espelho brilhante
Se não há nada desde o princípio
Onde o pó se assenta?”

Este segundo poema reflecte a essência dos ensinamentos do Sexto Ancestral da China, o Venerável Mestre Hui-neng e do Zen.

A prática da meditação do Zazen  (Base da Prática Zen Budista), não é para polir o espírito, não é para limpar a mente, não é para esvaziar nada. É tornar-se uno com nossa essência verdadeira, com aquele Eu imenso que contem todos os sentimentos, emoções, percepções, formações mentais, consciência e a forma física.

Retornar à verdade e ao caminho é retornar à vida. Assim falamos em renascer. Deixar morrer ideias abstractas e fantasiosas sobre estar separado do tudo e dos outros e perceber a sabedoria suprema presente em todos os seres, vivencia-la, tornar-se uno com todos os Budas e Ancestrais do Darma.

Basta perceber que nada é fixo, nada permanente – isto é o vazio. A mente vazia é aberta e flexível. Chora e ri. Pensa e não pensa. Não precisa ser esvaziada – já é vazia. Sendo vazia é clara e iluminada, em constante actividade e transformação.

Apenas escolha com o que alimentá-la. Tu mesma(o) é o programa e o programador, o computador e os seus acessórios. Cuide-se bem.

Autora: Monja Coen

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