Jetsunma Tenzin Palmo: Tendências Infantis

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Tendências Infantis que nos impedem de viver o presente
Por Jetsunma Tenzin Palmo

O problema é que, especialmente nos tempos actuais, temos essa  ideia de que uma vida bem vivida significa que todos as nossos desejos mundanos devem ser satisfeitos e que devemos ter o máximo de prazer físico e emocional possível.

Isso, para nós, é o que significa uma boa vida. Mas isso não é verdade! Estamos aqui para aprender. Estamos aqui para crescer, amadurecer. O Buda, quando falava sobre pessoas comuns como nós,  chamava estas pessoas de infantis ou imaturas.  Portanto, o objectivo do caminho espiritual é amadurecer e  tornar-se num adulto. Não permanecer infantis. Crianças pequenas, quando as coisas estão indo como gostariam expressam um sorriso feliz. Sorriem, sorriem. No momento que algo sai errado elas não sabem como lidar com suas emoções. Elas gritam e choram, como se alguém as tivesse desmembrando com pinças em brasa quente. Mas é só porque elas derrubaram o doce no chão. Elas não conseguem conter o seu pesar como também a sua felicidade e a sua raiva. Suas emoções são despidas de disfarce. E, para nós, a tragédia é que crescemos externamente e por dentro permanecemos emocionalmente com quatro anos de idade. Nós disfarçamos, externamente.

A palavra persona, de onde adquirimos a personalidade, traz a ideia e significado de uma máscara.[1] É uma máscara que era usada pelos actores em Roma e na Grécia simbolizando o personagem que estavam interpretando. Então, era a máscara que o actor usava que propiciava que ele ficasse escondido. Era a máscara que eles mostravam ao mundo, no palco.  Estas são as nossas personalidades. Todos nós projectamos as personalidades que queremos que os outros acreditem. E, na qual, nós também passamos a acreditar, o que é a grande tragédia.

No entanto, externamente, por mais aparentemente sofisticados que podemos vir a pensar que somos, internamente, há essa criancinha. Precisamos crescer e nos colocarmos na escola. E a escola é a nossa vida. A vida nos ensina lições o tempo todo. E quer aprendamos ou não essas lições ou tenhamos que repetir de ano depende de nós. E é melhor que nós venhamos a aprender onde estivermos agora, com quem estivermos agora. A sua família é uma base maravilhosa para este treinamento. O seu local de trabalho, seus colegas, seus amigos, suas actividades, tudo isso. Tudo. Nós podemos aprender. Se apenas pensarmos de uma maneira na qual cada pessoa que encontre, naquele momento, se torne a pessoa mais importante do mundo, nossa vida seria muito diferente. Simplesmente, porque naquele momento, esta é a pessoa com quem está.

Sua Santidade Dalai Lama é maravilhoso nisso. Todos que o conhecem, mesmo que por um segundo, sentem-se transformados porque naquele momento, eles sabem que Sua Santidade esta olhando apenas para eles. Quando S.S. pega em suas mãos e olha em seus olhos, sabemos que, naquele momento, mesmo que seja somente naquele momento, nós só existimos para ele. Com bondade. Sem nenhum julgamento. Vendo a pessoa e não a “persona.” Vê esses políticos e religiosos parecendo constrangidos, enquanto que Sua Santidade encontra-se alegre e sorridente. Isto se dá porque Sua Santidade. não esta se relacionando com eles como esse ou aquele cardeal ou o presidente desse ou daquele lugar. Ele esta olhando para a pessoa por trás daquilo tudo. Com amor e com compaixão. Abertamente e com completa aceitação. Cada um de nós pode fazer isso. Entende? Quando conhecemos alguém, na nossa mente, o nosso primeiro pensamento deveria ser “que você seja feliz.” Nada mais importa. Que seja feliz. Porque todos querem a felicidade. E, então, não atrapalhe o caminho delas.  Portanto, nossa vida quotidiana, nossas famílias, nossos filhos, nossos relacionamentos, nosso local de trabalho, colegas, amigos, vizinhos, pessoas que gostamos, pessoas com as quais temos problemas, todos, são ajudantes no caminho. Cada um deles. Cada respiração dada é prática espiritual. Ninguém pode dizer que não tem tempo para praticar.

[1] No teatro, é uma palavra italiana derivada do Latim para um tipo de máscara feita para ressoar com a voz do actor (per sonare significa “soar através de”), permitindo que fosse bem ouvida pelos espectadores, bem como para dar ao actor a aparência que o papel exigia.

Fonte:  DrukpaBrasil

 

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