Porque sofremos?

2d1d6429e1014795935681d657bc7a63a358ff07_2880x1620

Usualmente nós identificamo-nos completamente com o nosso sofrimento e nos tornamos um com ele. Mas mesmo quando ele nos atormenta ao máximo, nós não somos o nosso sofrimento da mesma maneira que não somos a doença quando afligidos por alguma enfermidade.

Para ter satisfação nesta vida, é da maior importância entender que o sofrimento é uma doença que nos afecta a todos em graus variados. Mesmo assim, algo no âmago de nossa mente se mantém inalterado. Portanto, precisamos desenvolver o entendimento de qual aspecto da experiência é afectado pelo sofrimento e qual aspecto de nossa mente se mantém não afectado.

O que nos limita é uma sucessão de sensações e pensamentos que nos levam a isolar um único aspecto da realidade e a permissão de que ele se torne nossa única preocupação. Para eliminar esta limitação precisamos melhor entender o que se mantém intocável pelo sofrimento, dentro de nós.

Além da sensação de dor, existe uma simples, pacífica e alerta presença no âmago de nossa experiência. Ela não é uma entidade misteriosa. Mas é a mais fundamental qualidade de nossa atenção, que nos permite experimentar o mundo e nós mesmos. Se nos decidirmos a ir em sua direcção e nela nos envolvermos, esta presença aberta agirá como um bálsamo sobre nossos tormentos, permitindo-nos recuperar a paz interior.

Quando confrontados com emoções e sensações poderosas, a nossa mente frequentemente acha-se roubada do seu livre arbítrio. Uma investigação completa dos mecanismos de felicidade e sofrimento e um melhor entendimento do funcionamento de nossa mente, combinados com um treinamento metódico dessa mente, pode gradualmente nos ajudar em direcção à liberdade.

Os eventos e os comportamentos de outros estão amplamente além de nosso controle.Podemos, entretanto, influenciar a maneira como os experimentamos. Ultrapassando a nossa experiência auto centrada de sofrimento, podemos comprometer muitos projectos construtivos nesta vida, tais como colocarmo-nos ao serviço dos demais.

Por Matthieu Ricard – no livro “Felicidade – a arte do bem-estar”

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s