Reduzir Planos e Projectos | Yongey Mingyur Rinpoche

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[…] é importante não ceder à nossa tendência de preguiça e de adiar a prática para amanhã, o mês seguinte ou o ano que vem. Podemos gastar as nossas vidas pensando: “vou praticar amanhã, ou depois”, então a vida esgota-se e, um dia, é hora de morrer. Na morte, o nosso único suporte é a prática pessoal, então reduza os seus planos e projectos.

É muito melhor, e na verdade muito mais prático, pensar: “Posso morrer logo de qualquer modo, então qual a utilidade de planear todas essas coisas? Se eu não praticar agora, chegará o dia em que lamentarei”.

Ao não projectar planos e envolvimentos muito longe no futuro, descobriremos que somos capazes de praticar em tempo integral. Milarepa disse: “Não há fim para objectivos mundanos, eles só terminam quando tu paras”. Enquanto estivermos envolvidos em todo tipo de acções e negócios, eles nunca terminam. O único modo é uma quebra limpa, pondo fim à continuidade de todas essas preocupações.

Quando somos capturados pelos nossos projectos, fazer isso e aquilo, uma coisa depois da outra, sentimos: “É melhor eu fazer isto! Depois aquilo! Isso vai melhorar totalmente a minha situação!”. Esforçando-se tanto para conseguir pequenos sucessos, mascaramos o facto de que na verdade estamos sendo preguiçosos. A nossa actividade sem fim, que evita o que é realmente importante, na verdade é preguiça.

Seria muito melhor chegar logo à decisão, sincera e conclusivamente, de parar de desperdiçar o nosso tempo. Temos que reconhecer que as nossas mentes são instáveis e que as aparências são sedutoras. Não vai bastar simplesmente continuar do jeito actual.

Embora estes sejam tempos modernos, ainda temos incríveis instruções preciosas à mão que, quando aplicadas, nos permitem despertar para a iluminação verdadeira e completa neste mesmo corpo, nesta mesma vida. Mas como a maioria de nós gasta nosso tempo em indolência e actividades sem sentido, ignorando a importância da prática genuína, há apenas alguns poucos mestres realmente realizados. […]

É dito que é melhor se puder equilibrar a vida e prática abandonando todos os envolvimentos mundanos, a partir de uma renúncia profunda por todo o samsara. Tenha confiança sincera nas consequências de actos kármicos e na realidade de vidas passadas e futuras.

Se puder praticar deste modo, a sua mente irá se tornar indivisível como a  mente de um guru, e nesta mesma vida, será capaz de “capturar o trono real da primordialmente pura Grande Perfeição”.

A segunda melhor opção é sempre agir de modo honesto e verdadeiro e viver de acordo com princípios espirituais.

No mínimo do mínimo, deveria tentar  lembrar-se com a maior frequência possível dos ensinamentos do Bem, e ser verdadeiro e honesto no que quer que faça. Mantenha um bom coração e regularmente tente fazer coisas que sejam de ajuda para os outros. Cultive uma atitude de amor e compaixão. Seja gentil e bondoso.

Qualquer um desses modos de vida vai agradar a sua alma, e senão chegar à iluminação nesta mesma vida, então chegará no momento da morte. No mínimo, terá garantido o estado búdico em alguma das suas vidas futuras. De um modo ou de outro, não está longe do omnisciente estado de um buda.

“As It Is”, vol. 1 (prefácio)

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