Meditação de Cura | Tülku Thöndup Rinpoche

Budha.png

A maioria dos exercícios compõe-se de quatro passos básicos: 1. identificar os problemas que precisam ser sanados; 2. apoiar-se numa fonte de poder; 3. aplicar os meios de cura e 4. alcançar o resultado da cura. Em alguns exercícios, a fonte de energia não é utilizada. Do mesmo modo, em alguns outros não se sugere uma determinada imagem; poderá visualizar qualquer imagem que seja apropriada.

Para promover uma cura realmente eficaz, precisamos usar o poder da imaginação, da compreensão, dos sentimentos e da força da nossa crença no processo de cura. Quanto mais vemos, compreendemos, sentimos e acreditamos nesse processo, mais profundos serão os benefícios.

Podemos reforçar cada um dos quatro passos básicos da cura mediante quatro técnicas de meditação. Podemos 1. ver ou visualizar cada passo como uma imagem; 2. pensar em cada um deles usando um determinado nome ou designação; 3. sentir as qualidades de cada um deles e 4. acreditar na sua eficácia. Essas técnicas fundamentam-se na compreensão de que os pensamentos adquirem força ao assumir forma concreta na nossa mente. Ver torna as coisas vividas e imediatas para nós. Quando nomeamos alguma coisa, conferimos-lhe força e a relacionamos com o nosso ser através do poder do pensamento. Quando sentimos algo, ficamos totalmente absortos nisso. Quando acreditamos no poder e na eficácia de alguma coisa, essa coisa torna-se uma realidade.

Por exemplo, para curar a tristeza, temos de aplicar as quatro técnicas de meditação aos quatro passos básicos. Em primeiro lugar, veja a tristeza como uma imagem. Identifique, de forma realista e calma, a tristeza. Deixe que o sentimento ou emoção triste aflore, de modo a que possa livrar-se dele. O que às vezes pode ajudar, embora não seja imprescindível, é localizar um lugar do corpo em que o sentimento se concentra, como a cabeça, a garganta, o peito ou a parte inferior do estômago. Talvez o seu corpo inteiro pareça estar tenso. Onde quer que a tristeza esteja, pode ver (visualizar) a tristeza como uma imagem, como um bloco de gelo, por exemplo. Isso faz com que a sua mente envolva esse ponto doentio com energias de cura.

Visualizar, sentir, identificar e acreditar — mas não aprisionar-se — na realidade da nossa doença ajuda-nos a dar atenção ao que está errado, para podermos resolver o problema directamente.

Veja a fonte de energia sob uma determinada forma, como urna bola de fogo, semelhante ao sol, que tem qualidades como calor  boa disposição e imensidão.

Veja os meios de cura na forma de poderosos raios de luz ígnea que dissolvem o gelo da tristeza no seu corpo por meio do simples toque, como os raios quentes do sol ao incidir sobre o gelo.

Veja a si próprio cheio de luz, sendo então transformado num brilhante corpo de luz curativa, cheio de calor, bem disposto, alegria e receptividade.

Em segundo lugar, além de ver essas imagens, devemos ainda dar um nome e reconhecer a tristeza, a fonte de energia, os meios de cura e a consecução da cura.

Em terceiro lugar, não se limite a vê-los e a identificá-los; sinta, também, a tristeza, sem deixar-se aprisionar nela. Sinta a presença da fonte de energia.

Sinta a energia dos meios de cura, invocando a energia de cura e moldando a forma dessa energia às suas necessidades e à sua situação. Pode ser um grande vento purificador que varre para longe as aflições, ou uma chuva balsâmica, ou então a energia da luz ou o poder purificador do fogo — ou qualquer outro meio de cura que julgar apropriado.
Sinta que está totalmente permeado da energia curativa do calor, da boa disposição, da alegria, da força e da receptividade.

Então, sem mais pensamentos nem imagens, simplesmente relaxe e deixe que aflorem todos os sentimentos que possam ter sido evocados no final do exercício.

Por fim, não se limite a ver, a designar e sentir, mas tenha também fé e confiança absolutas de que a sua tristeza está na imagem do bloco de gelo; de que a fonte de energia está presente diante de si com o poder absoluto de curar; de que os meios de cura podem curar mediante o simples toque, e de que está totalmente curado e transformado num brilhante corpo de luz curativa cheio de calor, boa disposição, alegria e receptividade. Sinta o seu problema e acredite que ele está sendo sanado. Deleite-se com a cura enquanto a vê e sente que ela está acontecendo. Acredite que a sua dificuldade está sendo resolvida, purificada, varrida para longe, dissipada. Então, sem pensamentos nem imagens, simplesmente relaxe e torne-se receptivo a todos os sentimentos evocados ao final do exercício.

Alguns problemas desaparecem imediatamente sem deixar vestígios; outros podem precisar de várias sessões.

Além disso, temos de ser realistas no tocante à nossa capacidade de melhorar o mundo que nos rodeia ou de modificar alguns problemas que surgem no nosso caminho. Contudo, embora a meditação nem sempre possa mudar as circunstâncias nas quais nos encontramos, nossas atitudes com relação a essas circunstâncias podem mudar. Podemos ser mais tranquilos e felizes. Isso melhora por si só a situação, ou modifica a maneira como agem as pessoas que nos cercam.

No contexto dos exercícios de cura, é importante acreditar no poder que a meditação possui de nos trazer paz. Devemos entregar-nos por inteiro ao exercício e sentir com o máximo de intensidade possível que o problema desapareceu por completo. Não se preocupe com o facto de a situação concreta parecer difícil de curar. Durante o período de meditação, não tenha nenhuma outra preocupação além de fazer aflorar a energia de cura e de acreditar no seu poder. É dessa maneira que se desperta a energia interior da mente e do corpo.

Quando começamos a percorrer o caminho da cura na vida quotidiana, é melhor que nos ocupemos de um problema simples, como o hábito de preocupar-se com a falta de tempo ou de falar demais sem pensar. Da mesma forma, ao fazer meditações de cura, é mais fácil resolver primeiro um problema simples do que muitos problemas complicados. Essa abordagem simples gera a capacidade, o hábito e a inspiração para que aos poucos se venha a tratar de problemas maiores.

Se praticar um exercício de cura com a intenção de resolver uma dificuldade específica ao longo de muitas sessões, pode não ser necessário iniciar, a cada vez, com a técnica de sentir ou visualizar a imagem do problema. Depois de algum tempo, já pode começar meditando sobre a energia de cura.

Pense mais uma vez na tristeza e tente determinar-lhe o carácter. Se for capaz de sentir se a tristeza é quente ou fria, isso poderá ajudar. Se for fria, visualize a luz, a água ou o ar quentes como meios de cura. Se o calor for o problema, visualize a luz, a água ou o ar como frios. Faça tudo o que achar bom e, se lhe parecer que a temperatura não se ajusta, ponha em prática o que for natural para si.

Lembre-se ainda de que, se já está se sentindo mais positivo, esse é o momento de, através da meditação, aprofundar sua sensação de bem-estar e, assim, preparar-se para os problemas, quando surgirem. Pode contemplar a luz ou sua fonte de poder, ou pode usar qualquer técnica de cura. Seja qual for a sua prática de cura, cultive sempre a sua meditação como um oásis de paz.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s