Natural Perfeição |Nyoshul Khen Rinpoche

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Um ensinamento do grande mestre do budismo Nyoshul Khen Rinpoche sobre a natureza da mente e os seus enganos. Visite a nossa Página de Facebook em Portal do Budismo

Todos os pensamentos, sentimentos, emoções, percepções, sensações, estados da mente, conceitos e tudo mais são como nuvens no céu, momentaneamente reunindo-se e depois dispersando, dissolvendo-se de volta exactamente nesse mesmo espaço. Que bem pode haver em apegar-se a isso? Que bem pode haver em tentar afastar -se disso?

Tudo é a exibição ilusória, milagrosa, como um sonho, da própria mente de alguém. Não há nada especial a se fazer sobre isso, excepto reconhecer a sua natureza verdadeira, a sua vacuidade, e ser livre dentro do que quer que pareça surgir.

Não é necessário julgar experiências e pensamentos como bons ou ruins, como desejáveis ou indesejáveis, proveitosos ou  não proveitosos. Deixe apenas ir e vir do modo como é, sem envolver-se demais, sem identificar-se com nada, nem cedendo nem seguindo, nem suprimindo nem inibindo. Simplesmente deixe todas as coisas internas e externas aparecerem e desaparecerem à sua própria maneira, apenas como nuvens no céu, e permaneça acima e além disso tudo, mesmo no meio das actividades e responsabilidades diárias.

Há tantas coisas para se fazer neste mundo, mas há apenas uma coisa que uma pessoa precisa conhecer, e isso é a sua própria natureza. Esse é o medicamento universal, a panaceia que cura todos os males e doenças. O que quer que vem, também vai. A própria natureza, o ser fundamental de alguém, está além — não se afecta pelas manchas que surgem ou por fenómenos temporários. Não vem nem vai: permanece imutável. Ao reconhecer isso, a transcendência inata é vivenciada. Então, samsara e nirvana não significam nem esperança nem medo para o praticante; a dualidade não mais prevalece. Não há nada a esperar, nenhuma queda a temer.

Como Guru Rinpoche, Tilopa e Naropa, e o Mahasidda Saraha disseram: “Com objectos externos, não se preocupe. Com objectos internos (o próprio sujeito), não se preocupe. Sem olhar para fora ou dentro, deixe como é: vazio, livre e aberto. Não são os objectos externos que nos prendem, mas sim o apego interno que nos amarra.”

Essa é a instrução essencial dos mahasiddas da Índia e dos yogues realizados do Tibete. Ela é baseada nas palavras do próprio Buda Shakyamuni, que disse que a raiz de todo sofrimento é agarrar-se, apegar-se. Não há outro ensinamento além deste. Isso é a raiz de tudo. Esse é o princípio por trás de todas as diferentes explicações.

A sensualidade não está nos objectos, está na mente que deseja, no próprio desejo. O desejo preenche os objectos com a qualidade de serem desejáveis, com sensualidade e valor. De outro modo, o que é desejável de modo absoluto? Tudo depende da mente, do próprio condicionamento da pessoa; o que uma pessoa deseja e aspira, a outra pode repudiar e evitar a todo custo. Não é óbvio isso?

Nyoshul Khen Rinpoche (Tibete 1932 – França 1999)

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