Um Monge Budista na canoagem dos Jogos Olímpicos

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O japonês Kazuki Yazawa dedica grande parte do dia à sua religião. Mas partir das três da tarde deixa o templo e treina-se para as Olimpíadas. No Rio de Janeiro fará a sua terceira participação… mas a primeira como monge budista

Acorda cedo, com o nascer do Sol, veste a roupa de monge budista e até às três da tarde dedica-se à religião, com pelo menos cinco rezas diárias. A partir daí deixa o templo Zenkoji Daikanjin e dedica-se ao remo. Veste um polo e uns calções, pega na sua carrinha branca e ruma ao rio Saigawa, no qual rema pelo menos uma hora e meia e também se dedica ao trabalho físico. Foi assim a rotina do japonês Kazuki Yazawa, 27 anos, nos últimos meses, para preparar a sua participação nos Jogos Olímpicos do Rio, nos quais vai competir na canoagem slalom.

Os Jogos Olímpicos não são uma novidade para este japonês, pois já esteve presente em Pequim 2008 (18.º lugar) e Londres 2012 (9.ª). Mas estas são as suas primeiras Olimpíadas como monge budista, depois de se ter convertido à religião em 2013 – cansado de não arranjar patrocinadores, decidiu que não ia mais fazer vida da canoagem.

“Nunca tive a intenção de conciliar as duas coisas. Quando me tornei monge budista tinha decidido que essa seria a minha ocupação principal. A canoagem seria só nos tempos livres”, referiu. Só que em 2015, ao vencer uma competição internacional no Japão, ganhou também o passaporte para marcar presença no Rio de Janeiro. E foi obrigado a conciliar as duas coisas. “Espero conseguir dar o meu melhor numa competição importante como os Jogos Olímpicos e regressar ao Japão com o dever de missão cumprida. Desta vez sinto que vou desfrutar mais do que das anteriores”, atirou o atleta, que tem todo o apoio dos monges que com ele habitam no templo de Daikanjin.

O gosto pelo desporto e pela canoagem em particular não surgiu por acaso, pois há outro membro na família que também pratica canoagem slalom, precisamente a sua irmã, Aki Yazawa, 24, que também vai estar presente nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Questionado recentemente sobre as suas duas ocupações, o atleta japonês não escondeu que se sente mais confortável dentro da canoa. “Ainda não consegui habituar-me a sentar sobre os calcanhares”, referiu em tom de brincadeira, prometendo que vai dar o seu máximo e tentar trazer do Brasil uma medalha.

Kazuki Yazawa não é o primeiro budista a participar em Olimpíadas. Antes dele existiram dois atletas. Em Londres 2012 o cavaleiro Kenki Sato (15.º classificado) e nos Jogos de Inverno há o caso de Dachiri Dawa Sherpa, que participou em várias edições.

 

Fonte: DN/Nuno Fernandes

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