Pema Chödron sobre a morte

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A monja budista Pema Chödron fez 80 anos e falou do medo da morte e a realidade da impermanência, dirigindo-se a todos, mas especialmente àqueles mais jovens — “na verdade, quanto mais jovem for, melhor é para ouvir essa mensagem, pois pode preparar-se durante toda a sua vida”. Ao preparar-se,  ela diz que os medos se vão, são vistos como momentos passageiros e que a vida ganha um tipo de apreciação mais vibrante, como se fosse uma “experiência à Van Gogh“, segundo as suas próprias palavras.  Citando o seu mestre, o célebre tibetano Chögyam Trungpa Rinpoche (1939-1987), Chödron dá ênfase ao que aprendeu dele há muito tempo, que cada respiração é um nascimento e uma morte, cada momento é um nascimento e uma morte, “e lembro que quando ouvi isso pela primeira vez senti um certo pânico, porque acho que entendi”. Uma sensação de “estar sem chão imensa“.

E o principal, diz, é acostumar-se a essa sensação de estar sem chão. “Percebe que é apenas aquele medo como sentimos antes de saltar de pára-quedas, é apenas um estalo, e pronto”. Com o tempo, ela diz que “aprende-se a relaxar durante aquele momento todo”.

É curiosa essa leitura, porque realmente temos muito mais momentos de “estar sem chão”durante a vida do que a morte final, que é apenas um momento (e, se tudo der certo, haverá algum tempo para experimentar a vida). Ao treinar para essas sensações durante a vida quotidiana, aceitando a impermanência de todas as coisas, nas crises, mudanças, dificuldades, facilidades, etc, a mesma sensação de medo de qualquer fim e de qualquer apego passa por essa prática de relaxamento e por essa compreensão. “E o medo vai saindo, sobrando apenas aquele senso de que as coisas estão se movendo, que são impermanentes, que realmente não há o que se agarrar, e essa é uma experiência muito preciosa, não é nada abismal, talvez seja um momento meio Van Gogh, vendo as coisas com mais vibração, observando todas as coisas muito vivas e preciosas, aprecia detalhes e aprecia bastante as outras pessoas”.

Assim, aos 80 anos, ela afirma tranquilamente que não há o que temer na morte.  “Sabe quando as pessoas vão-se aproximando da morte e fazendo aquelas reflexões sobre o passado? Então, isso está acontecendo comigo, e a impressão é que minha vida passou assim (faz um gesto estalando os dedos), e se foi“, diz ela.

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