Porque não estamos iluminados

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Se alguém reflectir genuinamente sobre a renúncia, não se trata de desistir de coisas externas como dinheiro, deixar a casa ou a família. Isso é fácil. A renúncia verdadeira é abrir mão dos nossos queridos pensamentos, de todo o nosso deleite nas memórias, esperanças e devaneios, da nossa tagarelice mental. Renunciar a isso e ficar nu no presente, isso é renúncia.

O facto é que dizemos que queremos a iluminação, mas na verdade não queremos. Apenas porções de nós quer a iluminação: o ego que pensa como isso seria bom, confortável e prazeroso. Mas realmente abandonar tudo e ir atrás? Poderíamos fazer isso num instante, mas não fazemos.

E a razão é que somos muito preguiçosos. Ficamos paralisados pelo medo e letargia — a grande inércia da mente. A prática está lá. Qualquer pessoa no caminho budista certamente conhece essas coisas. Então, como é que não estamos iluminados? Não temos ninguém para culpar a não ser nós mesmos.

É por isso que ficamos no Samsara, porque encontramos sempre desculpas. Em vez disso, devemos-nos despertar. Todo o caminho budista é sobre despertar. Ainda assim, o desejo de continuar dormindo é tão forte. Independente de quanto dizemos que iremos despertar para ajudar todos os seres sencientes, na verdade nós não queremos isso. Gostamos de sonhar.

(Jetsunma Tenzin Palmo)

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“Ohmm…” E se as crianças meditassem na escola?

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A meditação está a chegar às salas de aula um pouco por todo o país. Com o regresso à escola, fomos perceber como funcionam os programas de mindfulness e quais são, afinal, as suas vantagens.

No início, Zé achava aquilo tudo uma “treta”. O aluno do quinto ano gozava com os colegas quando, em aula, chegava a vez de meditar por alguns minutos. As caretas que os colegas faziam eram, para este rapaz de 11 anos, irresistíveis. Não havia como não fazer pouco do que estava a ver. Ele mesmo o admite, numa confissão gravada para fins académicos. No vídeo não se vê a cara do jovem, apenas o sorriso maroto e a linguagem corporal que ajuda a validar as respostas quando conta que, afinal, estava errado. As coisas mudaram quando Zé começou a praticar mindfulness no segundo período, exercícios de concentração que deixavamo-no cada vez mais relaxado e apto a trabalhar. Agora, custa-lhe menos fazer o sumário e já não há tanta energia para gastar.

Meditar na sala de aula

Zé é um dos alunos do Agrupamento Escolas João Villaret, em Loures, que usufrui do projecto “Mentes Sorridentes”, criado há coisa de dois anos não pelos melhores motivos. Os ataques de pânico entre os miúdos eram frequentes, tão frequentes que Dulce Gonçalves decidiu agir em nome do bem-estar dos alunos e trocar a medicação pela meditação. “Tinha de haver outra resposta que não enviar os miúdos diretamente para o hospital”, conta a professora de Educação Especial na Escola João Villaret. O início do projecto não foi fácil. O preconceito ou, se quisermos, a descrença entre colegas era óbvia e até a direcção torceu o nariz, pelo que o conceito “meditação” foi imediatamente posto de lado e substituído por “mindfulness” que, hoje, cai melhor em conversa — uma troca que consistiu numa “estratégia de marketing para diluir a resistência”.

No ano letivo 2015-2016, o Agrupamento de Escolas João Villaret passou a ter um projeto de mindfulness aplicado a um grupo piloto composto por 30 alunos com graves níveis de ansiedade, indisciplinados e com dificuldade em lidar com as próprias emoções. Durante a hora de almoço, e num espaço exterior à sala de aula, os alunos tinham sessões de 10 a 15 minutos, sendo que, primeiramente, era explicado o funcionamento básico do cérebro. O programa de oito semanas e de carácter facultativo acabou por pegar bem mais depressa do que Dulce Gonçalves alguma vez sonhou.

Dois anos depois, o formato original continua a existir e chega, inclusive, às salas de aula na forma de meditações tão diárias quanto o possível, após o intervalo da manhã e o da tarde. Só no ano passado, mais de 500 alunos, desde o jardim de infância ao nono ano, beneficiaram do projecto que é feito em parceria com a equipa de neurociência do Hospital Beatriz Ângelo. “Nós trabalhamos com alunos, docentes e funcionários. Somos uma equipa multidisciplinar que avalia cientificamente os resultados”, garante Dulce Gonçalves. Nem de propósito, o Ministério da Educação — que assegura que a implementação de projectos deste género “cabe no âmbito da autonomia de cada escola” — usa o agrupamento escolar em causa, e os seus “resultados muito animadores”, como um bom exemplo.

E que resultados são esses? Segundo os artigos científicos disponibilizados por Dulce Gonçalves, os alunos reportaram “melhoria no controlo da ansiedade de desempenho”, melhoria na concentração, diminuição da impulsividade e maior prazer nas relações e maior sentido para a vida”. Na conclusão assinalada no trabalho “Mentes Sorridentes – Uma proposta de promoção da saúde mental em meio escolar” lê-se, então, que as “técnicas de mindfulness, aplicadas num protocolo simples e curto, obtêm resultados positivos na gestão emocional que permite a disponibilidade para as aprendizagens e a melhoria da qualidade de vida dos alunos”.

Mais a norte, Fernando Emídio dá a cara pelo “Mind Up”, destinado ao primeiro ciclo do Agrupamento de Escolas da Marinha Grande. São mais de 500 os alunos que beneficiam do programa que se divide em dois: se por lado há 15 sessões durante 15 semanas, cujos temas vão variando (as aulas iniciais são dedicadas às bases da neurociência), por outro há práticas de meditação em plena sala de aula. “Os exercícios são à volta do som e da respiração, e são idealmente postos em prática três vezes por dia: de manhã, depois de almoço e ao final da tarde”, explica Fernando Emídio. Os resultados de trazer a atenção dos mais novos para o “aqui e agora” são palavras também repetidas por Dulce Gonçalves: redução significativa da impulsividade, dentro e fora da sala de aula, e menos ansiedade nos testes.“Há essa capacidade de manter a atenção sustentada durante mais tempo e menos ansiedade quando se faz isto antes dos testes.”

O projecto “O Pequeno Buda”, que o criador Tomás de Mello Breyner diz ser, por enquanto, o único 100% nacional (os outros dois derivam de conceitos existentes além-fronteiras), também começou em 2015, o que ajuda a provar que este é um “movimento”, se assim o pudermos chamar, particularmente recente. A ideia foi implementada numa primeira escola e, um ano depois, outras 19 se seguiram, a maior parte delas privadas e situadas em Lisboa, embora já existam parcerias no Porto e no Algarve. “Trabalhamos com a Associação de Escolas João de Deus, que é semi-privada, e estamos agora a trabalhar com o município de Coruche”, explica ao Observar Tomás de Mello Breyner. O homem que começou por estudar gestão de marketing viu a sua vida mudar quando foi diagnosticado com síndrome de Ménière (doença incurável que afecta os ouvidos, sendo que um dos sintomas passa pela perda de audição). O caminho para a aceitação do que era inevitável passou pelo ioga e, mais tarde e de forma espontânea, pela… meditação.

“O Pequeno Buda” funciona em três passos. O primeiro consiste na formação dos professores, para que estes estejam capacitados a fazer exercícios de meditação na sala de aula, e o segundo no facto de ser Tomás e a própria equipa a iniciar as técnicas de meditação entre os mais novos. “Depois, passado um determinado tempo, fazemos visitas. No fundo, é uma espécie de controlo de qualidade”, diz, referindo-se à última etapa. A máxima, garante o criador, é tirar um pouco o pé do acelerador e deixar que os Budas em formato mini sintam o “poder do silêncio, da respiração e da paz”.

Os benefícios e os principais desafios da meditação

Segundo alguns estudos, tal como se lê no livro “Filosofar e Meditar Com as Crianças” (editora Arena), a capacidade de concentração das crianças não vai além dos oito segundos — para muitos pais, arriscamo-nos a dizer, talvez não sejam precisas quaisquer conclusões científicas para atestar a ideia, basta vê-los correr pela casa em resposta ao “vamos fazer os TPC”. Para Rosário Carmona e Costa, que já antes falou sobre o perigo das novas tecnologias, a meditação (ou as práticas a ela associadas) pode ser uma resposta à contínua exposição dos mais novos aos muitos estímulos existentes. “A meditação faz com que o nosso pensamento acalme e nós só aprendemos quando estamos calmos e disponíveis. Não só na escola, mas também ao nível do comportamento e no regular das emoções”, explica a psicóloga clínica.

 

Miúdos com défice de atenção ou que sofram de ansiedade podem, na opinião de Rosário Carmona, beneficiar deste tipo de práticas, até porque uma criança que esteja habituada a parar consegue criar mais facilmente tolerância à frustração, além de ser capaz de se autoregular melhor. “Ganhos secundários passam pela maior empatia e menor agressividade”, continua a também autora do livro “iAgora”.

Investigações feitas lá fora sugerem o mesmo. Num artigo do The New York Times, datado de maio de 2016, dão-se conta de pelo menos três estudos com conclusões semelhantes. A título de exemplo, um deles, de 2015, focou-se em alunos do quarto e quinto ano que, findo um programa de meditação de quatro meses, revelaram melhorias ao nível das funções executivas — controlo cognitivo e flexibilidade cognitiva –, além dos significativamente melhores resultados a matemática.

Apesar dos benefícios apontados — que, em última análise, consistem na redução dos níveis de stress — é difícil implementar hábitos de meditação entre a família. Não é só uma questão de logística do dia-a-dia, com os pais a não saberem como e quando começar a meditar, mas em causa está também a falta de informação. “Muitas vezes está associada a uma coisa mais esotérica. Há a ideia de que a meditação precisa de tempo e de espaço”, acrescenta Rosário Carmona. João Paula, professor de mindfulness, concorda. “Há muita ignorância”, atira. “Há quem ache que vamos levitar.” O objectivo de quem dá aulas de mindfulness não passa por criar o hábito da meditação diária, explica. A ideia é simplesmente dotar os alunos de uma ferramenta para a vida.

Um dos principais argumentos a favor da meditação é o facto de miúdos e graúdos viverem num mundo cada vez mais digital, onde há um excesso de informação de tal ordem que as crianças perdem a capacidade de desfrutar do presente. Se, de facto, existem estudos que sugerem que uma criança tem uns escassos oito segundos de concentração, há outros que defendem que, por dia e em média, existem 80.000 pensamentos a entrar e a sair da nossa cabeçacomo se esta fosse uma autoestrada concorrida. A meditação surge, neste contexto, como um kit de primeiros socorros, mas é preciso assegurar que, segundo o livro “O Pequeno Buda”, algumas regras sejam cumpridas:

  • quanto mais longa for a meditação, mais calma ficará a nossa mente;
  • apenas um praticante pode ensinar uma criança a meditar;
  • uma prática de meditação para uma criança de 5 anos não é a mesma para uma de 12;
  • é preciso distinguir o objetivo da meditação: o “relaxamento”, que está relacionado com a capacidade de induzirmos na criança um aumento dos níveis de tranquilidade e bem-estar, destina-se a praticantes mais novos, enquanto o “aumento da capacidade de foco”, que assenta na concentração e atenção, destina-se aos mais velhos                                                                        Depois da meditação, a filosofia?

Frédéric Lenoir já deu workshopsfilosóficos a centenas de crianças em todo o mundo francófono, de Paris a Montreal, no Canadá, passando por Genebra, na Suíça, e Guadalupe, nas Caraíbas. A aventura levou-o a escrever o livro “Filosofar e Meditar com as crianças”, recentemente publicado em português pela editora Arena. Nele escreve que as crianças têm “a extraordinária capacidade de questionar o mundo, de se interrogarem, de se maravilharem, de confrontarem os seus raciocínios, em suma, de se entregarem à filosofia”. É com base nos workshops que lecionou em diferentes escolas, e seus resultados, que Lenoir defende que a aprendizagem da filosofia deveria começar logo na escola primária, ao invés de arrancar no ensino secundário.

Considerando as crianças do ensino pré-escolar, é preciso ter em conta que estas não deverão ser capazes de desenvolver verdadeiras argumentações logo nas primeiras sessões, mas a evolução tende a ser progressiva com o tempo. A filosofia, e os métodos que dela derivam, têm como principal objetivo permitir que a criança desenvolva o seu pensamento pessoal e aprenda a discutir com terceiros.

“A outra vantagem dos ateliers de filosofia no ensino pré-escolar é permitir que as crianças aprendam a escutar-se e a trocar pontos de vista do mundo construtivo. Quando animei um primeiro atelier de filosofia em Genebra, a escola La Découverte, reparei que as crianças do ensino pré-escolar que já praticavam este tipo de discussão com a sua educadora tinham as regras bem interiorizadas: cada uma dá a sua opinião livremente, escuta as outras e exprime o seu acordo ou o seu desacordo”, escreve Frédéric Lenoir.

De referir que os ateliers do autor começavam sempre com uma pequena sessão de exercícios associados à meditação: “Ao fim de duas ou três sessões na aula, a maioria dos alunos continuou espontaneamente a praticar meditação em casa, muitas vezes para se acalmarem quando se sentiam dominados por uma emoção, como a cólera, por exemplo”. A ideia de escrever o livro veio, então, da necessidade de partilhar com pais e professores as “virtudes da meditação e dos debates filosóficos para as crianças”.

O livro em causa é feito, na sua maioria, com relatos de crianças e estas são algumas das suas conclusões sobre a prática da meditação:

  • Violette (9 anos): “Serve para acalmar a minha raiva quando vou ralhar com a minha irmã mais nova”;
  • Castille (9 anos): “Faz-me esquecer todas as coisas que me enervam, que me stressam”;
  • Clarrise (10 anos): “A mim, ajuda-me quando estou furiosa. Faço isso, e ajuda-me a já não fazer movimentos bruscos”;
  • Édouard (9 anos): “A mim, ajuda-me a adormecer, porque, na verdade, adormeço a fazer meditação”;
  • Hector (9 anos): “Às vezes, quando estou a fazer revisões e penso noutra coisa ao mesmo tempo, bem, isto ajuda-me a acalmar-me e a concentrar-me”.

Fonte: Observador

Maior monumento do Budismo Tibetano em Alcácer do Sal

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O monumento cuja inauguração está marcada para 30 de setembro está quase concluído e representa de acordo com o Lama Guyrme, responsável pelo Centro de Retiros do Budismo Tibetano, localizado em Santa Susana (Alcácer do Sal) uma das primeiras aspirações da comunidade instalada no concelho desde 2015. Após a inauguração, o monumento pode ser visitado por todos os interessados. Instalado em Santa Susana, o Centro de retiro do Budismo Tibetano é procurado e conhecido em todo o Mundo e o espaço fica agora mais valorizado com a construção do monumento, disse o Lama Guyrme.
O centro é um pólo de promoção da cultura tibetana e dos ensinamentos do Buda, mas também um centro de retiros com capacidade para albergar praticantes provenientes de vários pontos de Portugal e da Europa para receberam ensinamentos específicos das tradições do budismo tibetano.

Sêrtar, a Cidade Tibetana de 40.000 Monges e Freiras

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Sêrtar é uma cidade localizada na província chinesa de Sichuan e uma das 18 cidades sob a administração da Região Autónoma do Tibete. Sêrtar significa “cavalo dourado” em tibetano e a localidade fica localizada a sudoeste do Planalto do Tibete, na região história de Kham.

A cidade estende-se por cerca de 9.340 quilómetros quadrados e além de albergar muitos tibetanos acolhe o maior instituto budista tibetano do mundo, o Instituto Budista Larung Gar. Larung Gar, por si só, acolhe cerca de 40.000 monges e freiras budistas.

O instituto foi fundado em 1980 pelo lama Jigme Phuntsok e começou com poucos monges, cujo número foi aumentando com o passar dos anos. Os monges podem demorar entre seis a 13 anos para completar o seu treino. O Larung Gar fica localizado num vale e a cerca de 15 quilómetros do centro da cidade.

Fonte: Greensavers

Compaixão e Acção

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Parece que o Mundo anda a cansar-nos. A desgastar de dia para dia. Vemos problemas, conflitos, intolerância e banalização. Cansa esta energia negativa que se vai tentando acumular nos nossos ombros. Há muito que o mundo não andava assim. Muito narcisismo e egocentrismo. Muitas palavras dadas e sem serem sentidas. Falam-se de feitos, mas não de acções, tudo enrolado numa teia de contradições. Postamos muitas frases bonitas, artigos positivos, mas onde anda a compaixão? Quando paramos para parar, respirar e pensar? Não basta falar, postar ou discutir. Precisamos de acções reais, concretas e afirmativas. De pessoas que façam realmente algo. Não tem de ser um grande gesto. Na acumulação de pequenos gestos é que as coisas boas surgem. E deixemo-nos da banalização. Seja de guerra, sofrimento, sexo, dinheiro ou degradação moral. Nada disso é mais importante que concretizarmos pela positiva. Leva parte do nosso tempo? Sim. Damos de nós sem receber nada em troca? Sim. Mas são passos essenciais para iniciar-se algo. Com Amor e Paz. Não necessitamos de revolta ou de uma atitude maldizente. Vamos em frente, com afectos.

Budismo: 4 Ensinamentos sobre o Amor

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O budismo ensina-nos a amar o outro de uma perspectiva espiritual. Ao reconhecê-lo como parte do nosso ser e procurar o seu bem-estar e liberdade, o ajudaremos a crescer interiormente.

A concepção de amor que o budismo nos oferece difere muito da clássica imagem de amor romântico, por isso o mundo da literatura e do cinema nos transmitiu uma série de conceitos um tanto quanto errados e inclusive dolorosos.

Deixando de lado se somos espirituais, religiosos ou agnósticos ou um pouco de tudo dependendo do momento, é sempre adequado conhecer diferentes enfoques de uma mesma realidade, com o qual nos enriqueceremos pessoalmente.

O amor é e continuará sendo uma dimensão tanto complexa quando apaixonante. É algo sobre o que aprendemos todos os dias, por isso vale a pena conhecer teorias interessantes que nos permitem crescer por dentro e, por sua vez, estabelecer relações mais felizes, mais íntegras.

O budismo pode ajudar-nos nisso. Por essa razão, partilhamos os pilares mágicos e sábios sobre os quais poderemos reflectir por algum momento.

O amor no Budismo

Nos textos budistas e nos diferentes ramos nos quais essa religião tão antiga se expande, o amor é, antes de tudo, parte do crescimento interior, tanto de um único indivíduo quanto de um casal.

É interessante saber também que para Buda o amor é uma mistura subtil e maravilhosa de alegria e de compaixão. Porém, devemos considerar que este enfoque espiritual exalta ao mesmo tempo a necessidade de não estarmos “agarrados” a nada e ninguém.

O “desapego” é parte dessa liberdade essencial da alma humana que nos permitirá fluir e avançar na roda da vida e em cada um dos ciclos de sua alma. Agora, por “desapego’ não devemos entender não poder estar junto de quem amamos.

Para o Budismo amar é reconhecer o outro como parte de si mesmo, em alegria e respeito. Ao mesmo tempo, devemos ser sábios o suficiente para permitir também o crescimento pessoal do ser amado.

É aí onde se lança uma das maiores belezas deste foco. Vejamos a seguir com mais detalhes.

1. A bondade incondicional

O budismo lembra-nos que um dos principais pilares que temos de escolher e cuidar em nossa vida é a bondade.

  • O acto de sermos nobres de mente e coração implica fazer o melhor pelos demais, ao mesmo tempo em que respeitamos e atendemos a todos aqueles que nos envolvem.
  • No amor não poderia ser diferente, visto que é a nível de casal onde a bondade incondicional deveria adquirir a sua expressão máxima, a sua máxima necessidade.

 

  • Ter respeito pelo ser amado, nos preocuparmos por seu bem-estar, por seu equilíbrio pessoal, por actuar com nobreza em nossos actos e palavras, é um valor do qual não deveríamos nos descuidar.

A capacidade de dar alegria e felicidade à pessoa que ama

O amor, se é autêntico, maduro e sábio, jamais trará pesares ou lágrimas. Quem te quer bem te fará feliz, nunca te fará chorar.

  • Buda lembra nos seus textos que para amar alguém é preciso saber observá-lo para descobrir o que faz essa pessoa feliz.
  • O entendimento é o caminho onde duas pessoas encontram espaços comuns e, para facilitar essa compreensão mútua, devemos ser capazes de desfrutar juntos, de falar com alegria, de nos olharmos em silêncio para afundar também as preocupações da nossa alma.
  • A felicidade se expressa e se observa; o amor se oferece com alegria, nunca com gritos e chantagens.
  • Por sua vez, o Budismo nos lembra, uma vez mais, a necessidade de sermos felizes sozinhos antes de começar um relacionamento. Porque só os corações felizes e tranquilos são capazes de dar o melhor deles mesmos.

3. A compaixão

Entendemos a compaixão como o desejo sincero e nobre de aliviar o sofrimento de outra pessoa, principalmente daqueles que amamos.

  • O Budismo nos recorda que para encontrar a razão do sofrimento de quem amamos não basta falar. As palavras nem sempre são sinceras ou encorajadoras.
  • É preciso saber observar, desenvolver a empatia que liga os olhares para ler a alma. Como já pode saber, considerando essa tendência espiritual o budismo convida-nos a aprender a meditar.

Porque apenas quando alguém encontra esse equilíbrio e paz interna, é capaz de se ligar melhor com as pessoas e com o seu mundo emocional.

. Equanimidade e liberdade na relação

Este é um aspecto tão importante quanto complexo nos relacionamentos. Se amamos alguém, como daremos liberdade a essa pessoa? Como construiremos esse espaço onde ambos podem estar juntos mas, ao mesmo tempo, livres para crescer?

É necessário relativizar muitos dos nossos esquemas. Para começar, o amor verdadeiro deve ser oferecido em total liberdade.

Liberdade pessoal é, como dissemos, um valor excepcional que, ainda que nos pareça complicado de pôr em prática, pode ajudar-nos a consolidar relações mais maduras.

É necessário proporcionar um espaço comum na nossa relação, mas ao mesmo tempo, respeitar que a outra pessoa continue crescendo internamente. É um caminho que faremos em comum, de mãos dadas, mas livres ao mesmo tempo.

 

Doze Causas do Eterno Retorno

Giant Buddha

Buda diz as Doze Causas do Eterno Retorno, a origem do sofrimento ou a explicação do porque voltarmos a nascer uma e outra vez neste reino ou em outros:

  1. Existe a ignorância.
  2. A ignorância condiciona as formações mentais.
  3. As formações mentais condicionam a consciência.
  4. A consciência condiciona a mente e o corpo.
  5. A mente e o corpo condicionam os sentidos.
  6. Os sentidos condicionam o contato.
  7. O contacto condiciona a sensação.
  8. O sentimento condiciona o desejo.
  9. A ânsia condiciona o apego.
  10. O apego condiciona o processo de chegar a Ser.
  11. O processo de chegar a ser condiciona o renascimento.
  12. renascimento condiciona a decadência e a morte, e também a pena, lamentação, dor e desespero.

Temos que saber que o último elo é a ignorância.